Fundação Solidaridad contribui para que as cadeias de soja e pecuária do Mercosul sigam as exigências da EUDR

Por meio da iniciativa Diálogos Regionais Inclusivos sobre a EUDR, no âmbito do projeto SAFE, Solidaridad e parceiros promoveram debates e puderam avaliar as principais ferramentas de rastreabilidade na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai nos últimos dois anos.

© Solidaridad Foundation
Os eventos buscaram sanar dúvidas de rastreabilidade, mapear gargalos estruturais e compartilhar boas práticas de adequação à nova norma.

Durante os últimos dois anos, a iniciativa Diálogos Regionais Inclusivos sobre a EUDR, no âmbito do projeto Agricultura Sustentável para os Ecossistemas Florestais (SAFE), compilou as principais preocupações das cadeias da soja e da carne em países do Mercosul em relação à Regulação da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). A partir delas, foram sistematizados guias e análises das principais ferramentas de rastreabilidade do mercado.

Sob a coordenação da Fundação Solidaridad, foram organizados, entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2026, mais de 50 eventos na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, além de dois eventos no âmbito do Mercosul para intercâmbio e divulgação técnica. Essas atividades reuniram mais de 2 mil participantes, entre produtores, membros da indústria e representantes da Comissão Europeia.

O objetivo principal dos encontros foi levar o debate sobre a EUDR e a troca de conhecimentos a diferentes perfis de produtores e produtoras rurais, incluindo os familiares. Dessa forma, o projeto também promoveu diálogos sobre a produção agropecuária livre de desmatamento, alinhada com os marcos legais de cada país. 

Além disso, para dar suporte contínuo à transição para a conformidade com a EUDR, o projeto integrou a discussão aos espaços de diálogo já existentes. Os capítulos nacionais da Mesa Redonda para a Pecuária Sustentável, seja no Brasil (Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável), na Argentina (MACS) ou no Uruguai (MUCS), bem como nas redes regionais, foram fortalecidos para promover um diálogo voltado para soluções.

Ambas as ações impulsionaram a colaboração entre os setores público e privado para aprimorar plataformas de rastreabilidade.

A iniciativa mostrou que a adequação das cadeias exige coordenação, transparência e soluções adaptadas às realidades locais. Nesse sentido, conseguimos fortalecer espaços de troca técnica e articulação entre produtores, empresas, governos e sociedade civil para apoiar uma transição justa e inclusiva.

Mais de 2 mil participantes debateram as implicações da EUDR nas cadeias produtivas dos quatro países.

Um diálogo com fins práticos

Com base nos pontos de maior interesse de sojicultores e pecuaristas, os eventos foram organizados em torno dos seguintes objetivos:

  1. Esclarecer dúvidas sobre o escopo e as implicações de mercado da regulamentação, particularmente em relação à rastreabilidade. De acordo com os representantes dos setores, a região está progredindo no desenvolvimento de sistemas técnicos de rastreabilidade, na sua integração com plataformas nacionais já existentes e na criptografia dos dados dos produtores. No entanto, ainda há dúvidas sobre a integração entre as interfaces regionais e os sistemas europeus; 
  2. Identificar as principais lacunas que limitam uma aplicação efetiva do regulamento. Houve um consenso geral sobre a necessidade de desenvolver medidas voltadas à instalação da infraestrutura básica para os sistemas de rastreabilidade, com atenção especial aos pequenos e médios produtores, que enfrentam maiores barreiras para cumprir os requisitos; 
  3. Identificar e compartilhar boas práticas de adaptação para o cumprimento da EUDR entre produtores e partes interessadas de diferentes países, para apoiar a transição das cadeias de suprimentos; 
  4. Melhorar a comunicação entre os produtores e a Comissão da União Europeia. 

 

Como resultado, as equipes da Solidaridad e da Proforest, juntamente com iniciativas nacionais como o VISEC na Argentina e a MUCS no Uruguai, e em colaboração com programas como AL-Invest Verde, o Diálogo Argentino-Alemão sobre Inovações Agropecuárias Sustentáveis e o projeto Desmatamento Zero guias e análises sistematizados de acesso livre. Pode encontrar os links no final da página.

Os espaços de diálogo provaram ser essenciais para que os produtores entendam as novas regras em primeira mão e exponham suas realidades.

Conclusões e Recomendações

Com esta iniciativa, alcançamos o objetivo de chegar ao maior número de produtores com informações atualizadas, confiáveis e relevantes, além de dar a eles a oportunidade de estabelecerem um diálogo direto com representantes da Comissão Europeia.

A resposta do público demonstrou que esses espaços de diálogo e trabalho conjunto são úteis para que os produtores possam se informar melhor, apresentar suas preocupações e entender em primeira mão as mudanças regulatórias em discussão, bem como suas possíveis implicações para a produção. 

Os diálogos reforçaram que a EUDR pode ser encarado como uma oportunidade para a pecuária brasileira avançar em eficiência, gestão e acesso a mercados. A rastreabilidade é um eixo central desse processo, desde que construída de forma integrada e inclusiva, com comunicação clara, assistência técnica e apoio aos produtores, especialmente os pequenos e médios.

A principal recomendação que surgiu dos encontros é continuar promovendo iniciativas como esta, com foco nos pequenos e médios produtores. Ainda é preciso seguir avançando na compreensão sobre o escopo e as implicações da EUDR, além de promover apoio técnico e incentivos financeiros para realizar uma transição justa, sem enfrentar custos desproporcionais ou ônus administrativos. 

O projeto lançou as bases para gerar espaços de diálogo como ferramentas úteis e agora os atores da cadeia de valor (VISEC, MUCS, MBCS) estão lhe dando continuidade para promover a inclusão dos produtores nas cadeias de valor que exportam para a UE.

Guias e análises de acesso livre

Região:

Luwero, Nakaseke, Kassanda, Mubende, Bukomansimbi, Kyotera, Omoro e Nwoya

Público-alvo:

Pequenos agricultores, comerciantes, atores estatais e não estatais e processadores

Principais atividades:
  • Capacitação de pequenos produtores de café em práticas de produção e gestão sustentável do uso da terra.
  • Estabelecer um sistema de rastreabilidade e facilitar o acesso ao financiamento sustentável
  • Facilitar parcerias comerciais inclusivas entre organizações de produtores e atores da cadeia de suprimentos
  • Promover a cooperação entre múltiplas partes interessadas
Mercadorias:
Região:

Huánuco, Ucayali, Pasco e Junín

Público-alvo:

Intervenientes públicos e privados, especialmente empresas exportadoras, cooperativas e pequenos produtores

Principais atividades:
  • Fortalecer as cadeias de abastecimento para atender aos requisitos da EUDR
  • Facilitar o acesso a financiamento sustentável e à troca de conhecimento
  • Treinamento de pequenos produtores para gestão sustentável de seus sistemas de produção
Mercadorias:
Região:

Ngozi e Kayanza

Público-alvo:

Pequenos agricultores

Principais atividades:
  • Treinamento sobre o uso de ferramentas de rastreabilidade e suporte na coleta de dados de geolocalização para conformidade com a EUDR
  • Apoiar o desenvolvimento de um painel nacional do setor cafeeiro para rastreabilidade e transparência
  • Capacitação de pequenos produtores de café em práticas de produção e gestão sustentável do uso da terra.
Mercadorias:
Região:

Regiões Centro, Sudoeste, Litoral, Sul, Leste e Oeste

Público-alvo:

Pequenos agricultores, mulheres, jovens e povos indígenas

Principais atividades:
  • Desenvolver parcerias empresariais inclusivas com o setor privado
  • Facilitar o acesso ao financiamento para modelos de negócios sustentáveis
  • Apoiar e treinar agricultores em sistemas de rastreabilidade de código aberto
  • Promover diálogos entre múltiplas partes interessadas para melhorar as disposições legais e regulamentares
Mercadorias:
Região:

Ecossistema da Bacia Hidrográfica do Kafue (Inferior)

Público-alvo:

Agricultores e grupos de gestão florestal comunitária

Principais atividades:
  • Apoiar grupos de gestão florestal comunitária na
    gestão sustentável dos recursos naturais e criação de meios de subsistência
  • Apoiar os agricultores na produção de soja em conformidade com a EUDR e aumentar a produtividade, e implementar projetos-piloto de transparência e rastreabilidade
Mercadorias:
Região:

Lampung, Kalimantan Ocidental e Sulawesi Central

Público-alvo:

Pequenos agricultores, sector privado e organizações da sociedade civil ao longo das cadeias de valor

Principais atividades:
  • Capacitar os pequenos agricultores e as organizações de agricultores facilitando a rastreabilidade e a legalidade, desenvolvendo a capacidade em Boas Práticas Agrícolas (BPA) e fortalecendo as organizações de agricultores, garantindo o apoio inclusivo para os agricultores homens e mulheres.
  • Promover práticas sustentáveis ​​e colaboração através do apoio aos esforços de conservação de HCV/HCS nas aldeias, testando e fortalecendo o Painel Nacional para a rastreabilidade e legalidade, e fomentando intercâmbios nacionais e regionais.
Mercadorias:
Região:

Son La, Gia Lai ​​

Público-alvo:

Pequenos agricultores e grupos marginalizados

Principais atividades:
  • Apoiar os intervenientes na cadeia de valor do café
  • Promover cadeias de abastecimento legais, sustentáveis ​​e livres de desflorestação
Mercadorias:
Região:

Reserva da Biosfera de Yangambi, Parque Nacional Salonga Norte, Parque Nacional Salonga Sul, Parque Nacional Virunga, Parque Nacional Kahuzi-Biéga​

Público-alvo:

Setor público e privado

Principais atividades:
  • Promover práticas agrícolas sustentáveis
  • Minimizar a degradação florestal
  • Prevenir a desflorestação
Mercadorias:
Região:

Províncias de Orellana e Sucumbíos

Público-alvo:

Pequenos agricultores, mulheres, povos indígenas e jovens

Principais atividades:
  • Promover Diálogos Multissetoriais
  • Melhorando os sistemas de rastreabilidade
Mercadorias:
Região:

Xingu território, Estado do Pará

Público-alvo:

Agricultores familiares

Principais atividades:
  • Melhorar o acesso ao mercado, a criação de valor e o acesso a financiamento sustentável
  • Integrar os agricultores aos sistemas de rastreabilidade
Mercadorias:
Atividades Globais