Igualdade de gênero e inclusão social
152 anos – no ritmo atual, este será o tempo necessário para eliminar a lacuna econômica entre mulheres e homens. Enquanto isso, entre 2019 e 2022, quase 40% dos países regredirem em matéria de igualdade de gênero, afetando mais de um bilhão de mulheres e meninas. Isso não é apenas injusto – é economicamente devastador: a desigualdade de gênero custa à economia global até US$ 172 trilhões em renda perdida anualmente. No entanto, eliminar essas lacunas poderia impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB) em mais de 20% – uma imensa oportunidade inexplorada.
Sem ações intencionais, essas lacunas se aprofundarão, deixando economias e comunidades para trás. As abordagens de Equidade de gênero e inclusão social (GESI) combatem essas desigualdades ao abordar relações de poder desiguais através de medidas intersetoriais e socialmente inclusivas. É importante reconhecer que a desigualdade de gênero não é uniforme, mas se cruza com outras formas de exclusão para muitos grupos marginalizados – como povos indígenas, pessoas com deficiência, comunidades rurais e outros – criando múltiplas desvantagens agravadas.
Trabalhando em prol de cadeias de suprimentos agrícolas justas e acessíveis para todos, a inclusão social é essencial para impulsionar uma produção livre de desmatamento e proteger as florestas do nosso planeta, uma vez que muitos povos indígenas e mulheres são guardiões das florestas e vivem o equilíbrio entre produção e proteção.
Gênero, direitos e poder nas cadeias de suprimentos agrícolas
As mulheres produzem entre 50 e 80% dos alimentos do mundo, mas enfrentam barreiras sistêmicas ao acesso à terra, ao capital e à tomada de decisões. Apenas cerca de 15% dos proprietários de terras agrícolas são mulheres, e elas têm menor probabilidade de possuir títulos legais ou grandes lotes de terra (FAO, 2018). Apesar de seus papéis fundamentais na produção de alimentos e na gestão da terra, povos indígenas e outros grupos marginalizados muitas vezes não possuem direitos formais sobre a terra e enfrentam conflitos decorrentes de projetos agrícolas ou extrativistas em larga escala. Este desafio se repete em outros grupos marginalizados, como povos indígenas, meninas e pessoas com deficiência, que também são essenciais para a produção de alimentos e a gestão da terra.
Sem a posse segura da terra, essas comunidades têm acesso limitado a crédito e investimento, o que restringe sua capacidade de adotar inovações sustentáveis e tecnológicas. Excluí-las dos recursos e do poder não apenas aprofunda a desigualdade, mas também prejudica a conservação da terra e a segurança alimentar global.
Não é um trabalho fácil. Se fosse fácil, já teria sido feito há muito tempo. Não é fácil, pois exige um esforço consciente para romper com certas normas, práticas e estruturas.
Darren Walker, ex-presidente da Fundação Ford, sobre como a diversidade e a inclusão são essenciais para o sucesso das empresas, 2021
Fluxos de trabalho de GESI do SAFE
Pacote de trabalho 1: módulo de Capacitação de Treinadores sobre equidade de gênero e inclusão social e intersetorialidade (GESI+) para cadeias de valor livres de desmatamento
O projeto SAFE estabeleceu uma parceria com o Centre for International Forestry Research and World Agroforestry (CIFOR-ICRAF),para desenvolver um Programa de Capacitação de Treinadores (ToT) sobre equidade de gênero e inclusão social + intersetorialidade (GESI+) no âmbito de cadeias de valor livres de desmatamento. Esta iniciativa aborda uma lacuna crítica no Regulamento da UE sobre o desmatamento (EUDR) sobre como garantir que a transição para uma agricultura livre de desmatamento seja justa e equitativa para a diversidade de produtores inseridos nessas cadeias de valor e para as comunidades afetadas nas áreas de abastecimento.
O programa ToT apresenta a estrutura GESI+ para ir além da simples conformidade regulatória e repensar uma transição justa que proteja os meios de subsistência e os direitos aos recursos dos pequenos produtores mais vulneráveis, ao mesmo tempo em que cria ativamente novas oportunidades.
O kit de ferramentas de facilitação foi concebido para capacitar os treinadores que trabalham mais de perto com os pequenos produtores, atores de pequena escala da cadeia de valor e povos indígenas e comunidades locais que possam ser afetados pela implementação do EUDR. Esses treinadores frequentemente atuam como pontes entre operadores e comerciantes e os pequenos produtores em suas áreas de abastecimento.
O módulo foi testado em três países, Brasil, Equador e Indonésia, adaptado às necessidades locais, e os aprendizados gerados foram incorporados ao produto final.
- Ao capacitar os profissionais que apoiam os pequenos produtores, a abordagem GESI+ prepara treinadores, produtores, operadores e comerciantes para liderar uma transição socialmente justa e livre de desmatamento.
- O kit de ferramentas foi concebido para uma aplicação flexível, com quatro Unidades de Aprendizagem que abrangem dez Módulos de Aprendizagem e 24 ferramentas práticas. Ele inclui um modelo de Plano de Aprendizagem que permite que os treinadores selecionem e elaborem seus próprios currículos de treinamento, além de três avaliações dos participantes para feedback em tempo real e posterior.
- O kit de ferramentas foi lançado durante um webinário da série de aprendizagem Hub para Iniciativas Zero Desmatamento.
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More InformationGravação do webinar
- Este resumo informativo apresenta os resultados de um estudo documental validado em três países e aplicado durante um Programa de Capacitação de Treinadores (ToT) sobre as dimensões de gênero e sociais do EUDR e da legislação nacional relevante, os riscos para as mulheres e outros agentes marginalizados nas cadeias de suprimentos, bem como as oportunidades de aproveitar o EUDR para uma inclusão mais equitativa e a partilha de benefícios.
- Análises aprofundadas selecionadas por país (Equador e Indonésia) para analisar a dinâmica da cadeia de valor para commodities específicas nos respectivos contextos e o mapeamento de políticas da legislação nacional que ofereçam medidas de proteção social para diferentes grupos de identidade social.
- Workshops online com as equipes nacionais do SAFE para refletir e aperfeiçoar o currículo de aprendizagem, as atividades dos wokshops, as ferramentas de planejamento e as avaliações dos participantes.
- Projetos-piloto de Capacitação de Treinadores (ToT) realizados no Brasil, Equador e Indonésia (abril, agosto e setembro de 2025), capacitando mais de 80 representantes do governo, da sociedade civil e do setor privado.
- O ciclo “piloto-feedback-revisão” permitiu adaptar ainda mais o treinamento após cada piloto nacional, fundamentando assim o kit de ferramentas final na aplicação no mundo real.
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More InformationAssista ao vídeo do treinamento na Indonésia
Pacote de trabalho 2: Acelerador de ideias para soluções locais de GESI
As desigualdades de gênero e sociais determinam quem controla a terra, quem tem acesso à extensão agrícola, quem participa da tomada de decisões e quais práticas são incluídas ou excluídas das cadeias de suprimentos e livres de desmatamento. A integração de uma perspectiva de GESI fortalece a rastreabilidade, a legalidade e a sustentabilidade, ao mesmo tempo em que impulsiona a inovação e a resiliência.
O projeto SAFE implementa um Acelerador de Ideias para Soluções em nove países do SAFE em colaboração com a consultoria sul-africana Korumo Consulting. Esta iniciativa, no contexto do projeto global SAFE, foi concebida para ajudar as equipes dos países a identificar barreiras à igualdade de gênero e à inclusão social que dificultam a conformidade com o EUDR e a desenvolver soluções direcionadas e inovadoras.
A estrutura GESI Sprint
A iniciativa tem como objetivo promover a GESI através da implementação de soluções práticas e impulsionadas localmente, em parceria com atores locais, a fim de enfrentar barreiras de grande impacto à GESI — como a falta de documentação fundiária, a exclusão dos sistemas de rastreabilidade, a participação insegura em cadeias de valor ou a liderança limitada de mulheres e grupos marginalizados — e desenvolver soluções de baixo custo e alto impacto dentro de sua esfera de influência. As soluções são projetadas para serem realistas dentro do prazo de um ano do Sprint, contribuindo também para mudanças estruturais de longo prazo e para a preparação para o EUDR. O Sprint combina rigor analítico com implementação adaptativa e aprendizagem entre pares, garantindo que as soluções sejam tanto viáveis quanto transformadoras.
Quadrantes da mudança: projeto para a transformação
Todas as soluções Sprint são orientadas pela Estrutura dos quadrantes da mudança, que aborda a mudança em quatro domínios interligados:
- Individual – autoconfiança, conhecimento, habilidades, atitudes e autonomia
- Relacionamentos – relações de poder, tomada de decisões e colaboração
- Cultura – normas sociais, valores e regras informais
- Sistemas – políticas, instituições, mercados e estruturas formais
Para atingir um impacto sustentável e transformador em termos de gênero, as intervenções devem atuar em pelo menos dois quadrantes. Por exemplo, um treinamento pode desenvolver a capacidade individual, mas o impacto real depende em como os participantes aplicam esses conhecimentos em suas famílias, organizações de produtores, comunidades ou sistemas formais, como a rastreabilidade ou a administração da terra.
Abordagens em nível nacional:
A iniciativa apoiou a participação, a autonomia e a tomada de decisão das mulheres, abordando barreiras estruturais e relações de poder desiguais. Através de ações transformadoras de gênero e aprendizagem entre pares nas duas cadeias de valor, a iniciativa promove ambientes de trabalho mais inclusivos, desafia normas prejudiciais e ajuda a revelar o potencial econômico de ambos os setores.
Atividades:
- Workshop de 2 dias com mais de 30 mulheres, homens e jovens das regiões Transamazônica e Xingu/PA
- Debates, capacitação em GTA e troca de informações entre os participantes
- Processo de mentoria online
Ainiciativa fortaleceu as habilidades de jovens adultos, mulheres e técnicos locais de organizações de cacau e café para usar ferramentas geoespaciais que melhoram a rastreabilidade das propriedades agrícolas e a produção sustentável. Preencher as lacunas digitais e de participação de mulheres e jovens é fundamental para que as organizações rurais atendam a padrões internacionais como o EUDR, que exige produtos rastreáveis com geodados do lote de produção. Gerenciar seus próprios dados com segurança é fundamental para as organizações de pequenos produtores em termos de segurança da informação e
empoderamento.
Atividades:
- Treinamentos para capacitar organizações de produtores a gerenciar sistemas de informação geográfica.
- Promoção da governança de dados e gestão de informações confidenciais pelos produtores.
- Desenvolvimento de novas habilidades em mulheres e jovens adultos para oportunidades de emprego rural.
Na zona rural da Zâmbia, as mulheres frequentemente dependem de seus maridos ou de líderes tradicionais para a alocação de terras, refletindo profundas desigualdades de gênero. Fortalecer a segurança de posse da terra para as mulheres é essencial para superar essas barreiras, permitindo que pequenos produtores cumpram padrões internacionais como o EUDR e participem dos mercados globais.
Atividades:
- Empoderamento das comunidades ao reforçar a segurança de posse da terra para as mulheres, promovendo o desenvolvimento sustentável e a equidade social na Zâmbia por meio de campanhas sobre normas sociais e treinamento comunitário.
- Fornecimento de soluções inovadoras de documentação fundiária (ParcelCert) para a posse segura da terra
- Busca de um impacto duradouro, visando mais de 1.200 membros da comunidade e garantindo direitos fundiários para pelo menos 50 mulheres
Ainiciativa apoia mulheres proprietárias de plantações de borracha para fortalecer seu papel na produção sustentável, liderança e tomada de decisões. Embora as mulheres sejam importantes contribuintes para a economia local da borracha, elas enfrentam barreiras para adotar práticas agrícolas avançadas, obter financiamento e cumprir normas emergentes. Com base no Desafio SAFE e na colaboração com a Olam Agri, a intervenção aprimora a capacidade das mulheres de atender aos requisitos do EUDR, promovendo, ao mesmo tempo, o empoderamento econômico e a resiliência.
Atividades:
- Workshops do Sistema de Aprendizagem de Ação de Gênero (GALS) para fortalecer a liderança, a tomada de decisões e a ação comunitária
- Criação e fortalecimento de grupos de mulheres agricultoras para melhorar os processos de negócios e a conformidade
- Documentação e compartilhamento de melhores práticas para informar abordagens inclusivas e expandir modelos de sucesso.
- Implementação iniciada -
Em Son La e Gia Lai, esta iniciativa fortalece uma cadeia de suprimento de café com equidade de gênero e livre de desmatamento, promovendo o reconhecimento, o desenvolvimento de habilidades e a participação das mulheres na tomada de decisões. Utilizando o Sistema de Aprendizagem de Ação de Gênero (GALS), a iniciativa ajuda mulheres e homens a enfrentar desafios - especialmente em relação aos direitos de uso da terra - e promove a tomada de decisão compartilhada em famílias, grupos de agricultores e cooperativas, com atenção aos contextos das minorias étnicas.
Atividades:
- Orientação baseada no GALS para uma produção sensível às questões de gênero e alinhada com o EUDR
- Capacitação para aumentar a participação e as competências das mulheres em toda a cadeia de valor
- Envolvimento com tomadores de decisão para integrar a inclusão social e de gênero nas políticas para um setor cafeeiro sustentável.
Esta iniciativa promove a inclusão de mulheres e povos indígenas na cadeia de suprimento de café como um caminho para a geração de meios de subsistência e a proteção florestal na região do Parque Nacional Kahuzi-Biega. Ao criar oportunidades de renda que não dependem da posse da terra, o projeto visa reduzir a pressão sobre os recursos florestais e, ao mesmo tempo, fortalecer as competências, a participação e a resiliência econômica.
Atividades:
- Treinamento e capacitação de mulheres que administram viveiros para gerenciar a produção em larga escala de mudas de café
- Produção e venda de mudas de viveiros-piloto
- Apoio ao envolvimento das mulheres no processamento do café e no acesso ao mercado, incluindo o envolvimento em oportunidades de comércio justo
A iniciativa promove a igualdade de gênero e a inclusão social nas cooperativas de café e cacau, abordando as barreiras que limitam o acesso de mulheres, jovens e povos indígenas a recursos, posições de liderança e oportunidades econômicas. Essas desigualdades reduzem a produtividade e dificultam o cumprimento dos requisitos do EUDR
Atividades:
- Fortalecimento da liderança feminina através de treinamento, mentoria e participação na tomada de decisões colaborativa
- Mapeamento e apoio a empresas lideradas por mulheres com treinamento empresarial e mentoria personalizados
- Fomento de alianças estratégicas com instituições públicas e plataformas regionais para promover políticas sensíveis às questões de gênero e ampliar as oportunidades econômicas em toda a cadeia de valor
Em Uganda, esta iniciativa promove uma produção de café com equidade de gênero e sustentável, abordando as barreiras que limitam o acesso das mulheres à terra, aos recursos, ao treinamento e à tomada de decisões. Apesar de seu papel central no setor, as mulheres continuam sub-representadas e ganham significativamente menos, o que afeta a produtividade e o bem-estar familiar. O projeto aplica uma abordagem de treinamento transformadora em termos de gênero, baseada em casais, alinhada às políticas nacionais e aos requisitos do EUDR.
Atividades:
- Treinamento para facilitadores comunitários para disseminar informações sobre agricultura inclusiva e sustentável e conscientização sobre direitos fundiários
- Diálogos familiares para fortalecer o planejamento conjunto, a tomada de decisões e a partilha equitativa dos benefícios
- Capacitação de cooperativas e partes interessadas locais para sustentar práticas sensíveis às questões de gênero e melhorar a produtividade e a resiliência nas comunidades cafeeiras
Em Mintom, no sul dos Camarões, esta iniciativa promove a governança inclusiva nas cooperativas de cacau, combatendo a exclusão estrutural das mulheres e das comunidades indígenas Baka do acesso à liderança, aos recursos e às oportunidades econômicas. O fortalecimento da inclusão é fundamental para melhorar a sustentabilidade das cooperativas e apoiar a conformidade com o EUDR.
Atividades:
- Campanhas sobre normas sociais para aumentar a conscientização e desafiar estereótipos sobre a participação das mulheres e das comunidades indígenas Baka na governança cooperativa,
- Capacitação comunitária para fortalecer habilidades de liderança e acesso a informações técnicas
- Reformas institucionais participativas para revisar os estatutos das cooperativas e incorporar compromissos com a igualdade de gênero e a inclusão étnica.
Conceitos-chave
Nossa abordagem GESI é orientada por princípios essenciais para alcançar cadeias de suprimentos justas e resilientes:
Equidade de gênero (vs. igualdade)
Intersetorialidade
Abordagem transformadora
Obrigação econômica e de desenvolvimento
Última atualização em: Maio 2026
































